Amazon, AliExpress, Mercado Livre, iFood, todas as plataformas de venda online estão na palma de nossa mão. 24 horas dos 365 dias do ano. Não importa onde estamos. Basta poder, comprar e ter a encomenda à porta. Em São Paulo, a Amazon está prometendo a entrega em quanto tempo? 15 minutos? Já nem sabemos mais!
É tanta venda, tanto produto entregue e a qualquer hora em qualquer cidade que começamos a ter a quase incômoda percepção de que a infraestrutura urbana está sendo pressionada. Reclamamos das motos, dos VUC (Veículo Utilitário Urbano), dos patinetes, das bicicletas… O mercado está em todo lugar!
E nos esquecemos que tudo isso é culpa nossa, da comodidade que aceitamos – e queremos… ou não? Esquecemo-nos também que sobre as motos, VUC, patinetes e bicicletas há os nossos parceiros cidadãos ralando para que tudo chegue na hora. E passando da hora de respeitar o trabalho deles e dando preferência no trânsito para essas pessoas que estão aí, arriscando-se por uma entrega nossa.
O que é a última milha e por que é tão difícil?
A logística não termina quando a carga chega ao centro de distribuição, que pode variar em tamanho e função, dependendo da localização estratégica. De um desses centros até nós, consumidores, está a chamada “última milha”.
E o que pode ser uma surpresa: esse último trecho ou milha pode representar mais de 50% de todo o custo logístico da entrega. Engarrafamentos, ruas estreitas, falta de locais para estacionar e clientes ausentes de casa são os fatores principais que fazem desse trecho curto um desafio logístico e financeiro para as empresas.
A mudança de perfil nas rodovias e ruas
Antes, a logística rodoviária era dominada por enormes caminhões para fazer a ponte entre as fábricas e os grandes hipermercados. Hoje, esses caminhões vão só até os arredores das cidades, nos hubs de distribuição. Dali, a carga é pulverizada por milhares de veículos comerciais leves (VUCs, furgões, motos). Isso alterou a dinâmica do tráfego, criando pequenos picos de congestionamento ao longo de todo o dia.
O impacto ambiental da entrega imediata ou dia seguinte
Essa pressão pela entrega impede as transportadoras de otimizar os veículos de forma eficaz. Alguns veículos chegam a circular vazios apenas para cumprir o prazo prometido ao cliente.
Essa pressão tem gerado outro efeito colateral: as grandes empresas estão investindo em frotas totalmente elétricas, na tentativa de “mitigar a poluição”, mas também diminuir custos com combustível e manutenção.
Inovações e a engenharia da solução
Outras mudanças para dirimir o impacto desse movimento nos custos de logística da última milha e com o intuito de torná-la mais eficaz são as instalações de pontos de coleta em postos de abastecimento ou supermercados, reduzindo assim as viagens perdidas.
Além disso, micro-hubs ou pequenos centros de triagem dentro das cidades, são uma espécie de “logística verde” de onde partem as bicicletas para driblar o trânsito e diminuir os custos de trajetos curtos.
O preço da nossa conveniência
A infraestrutura urbana não foi desenhada para isso tudo. Suportar uma entrega individual por habitante todos os dias não será fácil. E esse sentido de urgência para compras que adotamos não faz, na verdade, sentido nenhum, se refletirmos bem.
O trânsito dependerá de um equilíbrio entre a nossa urgência de consumir e a adoção de soluções de logística mais inteligentes.
Mas, comente aí: quantas encomendas você costuma receber por mês? Já reparou no aumento do trânsito de veículos diversos no seu bairro? Saia do home-office um pouco, dê uma espiada e conte pra gente. E você, pessoa entregadora? Comente o que achou do artigo?
