O Brasil possui de 12% a 13% de suas estradas pavimentadas. São 214 mil km. A Alemanha tem até 830 mil km de pavimentação. Quase 100% de sua malha rodoviária. Os Estados Unidos, mais de 4 milhões de km. O Chile, 25% de excelente qualidade.
Nos últimos 10 anos, os investimentos em infraestrutura de rodovias não foram pequenos, mas grande parte foi feito pelas concessionárias e a quase totalidade destinada à manutenção. Apenas 1% foi investido em novas estradas ou rodovias. Um triste contraste com o crescimento da frota. Vivemos uma situação na qual não temos boa infraestrutura de trens – trilhos – e estamos limitados a gastar os investimentos em manutenção de estradas de má qualidade – com nível abaixo da média global. Afora algumas iniciativas normativas do governo através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), sofremos com a falta de fiscalização e lacunas da lei.
Apesar de seguirmos padrões técnicos semelhantes aos internacionais, priorizamos o asfalto devido ao baixo custo de execução. Nos EUA e Europa, as camadas asfálticas são mais grossas ou feitas de pavimentos rígidos (placas de concreto). A durabilidade, nesses casos, sobe para 20 anos ou mais, enquanto o asfalto que usamos dura 10 anos. Além disso, em nossos asfaltos há constantes irregularidades e desníveis provocados por excesso de peso dos caminhões. E o modelo de infraestrutura modal de nosso país agrava a situação. Quando uma estrada ou rodovia entra em manutenção ou recapeamento, sabemos por experiência própria que o estado já é deplorável.
No próprio estado de São Paulo, responsável pelas melhores estradas do país, houveram casos lamentáveis de conservação. A rodovia SP-333 no trecho entre Assis e a divisa com o estado do Paraná teve um período péssimo de conservação entre 2010 e 2017. Com muitas irregularidades, buracos e falta de sinalização. O processo de reparação teve início em 2017 e foi concluído só em 2025. A primeira parte da recuperação foi o recapeamento emergencial, realizado pela empresa que assumiu a concessão do trecho.
O problema da qualidade e manutenção precária das rodovias e estradas brasileiras é crítico. É a causa de elevado custo de manutenção de veículos para os cidadãos, empresas e o próprio governo e, na sua pior forma, de acidentes trágicos e fatais. De novo, estamos muito aquém de ter uma administração pública comprometida, responsável, justa e honesta que nos dê a percepção de melhoria e evolução. Estamos sempre reparando os nossos constantes erros e desmandos, sendo vítimas de más gestões e permissividade da nossa parte.
Então, a resposta para a pergunta título é múltipla. Obviamente, não somos uma potência e falta poder de investimento. Em segundo lugar, investimos mal – há muita coisa errada na gestão pública brasileira e, ao invés de melhorar, parece que só piora. Em terceiro lugar, políticas mal formuladas, falhas na fiscalização e a esperteza das empresas que visam o lucro antes da coisa pública e dos contratos deixam uma infraestrutura nova já precária.
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